Temas

Diga sim à vida!. E Não, ao Aborto!

 

P = Qual o primeiro de todos os direitos naturais do homem?

R = O de viver. Por isso que ninguém tem o direito de atentar contra a vida do seu semelhante, nem de fazer o que quer que possa comprometer-lhe a existência corporal.

 

( O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 880,85. ed. FEB.)

 

P = Em que momento a alma se une ao corpo?

R =  Para a Doutrina Espírita, está claramente definida a ocasião em que o ser espiritual se insere na estrutura celular, ou seja, no momento em que existe a união do espermatozóide com o óvulo.

 

                                

 

 

 

                         ANDARILHA DAS TREVAS

 

 

  Como andarilha na sombra, caminhei tempos que me representaram eternidade.

  Pertubada, tateando o solo úmido e mau cheiroso, carreguei o fruto amargo, devido minhas ações imorais exercidas.

  Minhas compainhas eram todas ilusórias, sendo apenas projeções de minha mente, na qual o registro se fizera durante a minha vivência física na terra.

  Pesado fardo de desespero e dor, ombreei sem tréguas. Figuras idênticas a mim desfilaram nas ruas do prazer e do vício, fazendo-me lembrar a vida cheia de aventuras.

   Meus amantes das vidas prazeirosas passavam a distância, misturando sorriso e prantos, assemelhando-se aos desequilibrados, delirando.

   Por que me encontrava naquela situação? Somente por causa dos prazeres e vícios? Não. Também, pelo aborto que pratiquei.

   Lembro-me claramente que, em uma de minhas noites de aventura, me encontrei grávida. Aquela situação não deveria acontecer e era penosa para mim. O que fazer? Dar valor à vida em formação, gerando em minhas entranhas, ou expulsá-la pelo aborto, para prosseguir minha vida de aventuras, nas madrugadas em orgia?

   Entre o prazer e a vida que se desenvolvia no útero, optei pelo prazer e a sensualidade, abortando o pequenino feto.

   Ao fazê-lo, tive uma grande supresa, pois, ao invés de ser uma única criança, eram duas. Acabava de exterminar um casal de gêmeos.

   Na hora senti o remorso. O sangue gelou em minhas veias, e não sabia se gritava ou chorava.

   Alguns minutos depois, lembrei-me das avenidas, do piscar das luzes nas luminárias de publicidade e dos amantes da madrugada, fazendo-me esquecer a cena triste das duas pequeninas e indefesas vítimas.

   Continuei a caminhada de aventuras, até que, um dia, a velhice chegou. Só e sem ninguém para partilhar o prazer e a vivência, aguardei o passar dos anos, o final de minha existência na terra.

   Hoje, já desencarnada, aqui me encontro como andarilha das trevas, suplicando o amparo do Pai Celestial e a oportunidade de uma nova reencarnação.

   Quando estou exausta, me deixo adormecer e, nos sonhos, revelam qual será o meu futuro na próxima vida física. Nascerei de uma aventura, serei abandonada e terei cuidados de terceiros como órfã de pais desconhecidos.

   Na adoslecência, sofrerei um desarranjo genital, provocando-me uma hemorragia que me aconmpanhará nos longos anos de minhas expiações, como pena de lembrar o derespeito que tive pelas vidas em formação, quando as abortei, trocando duas vidas pelo prazer e a orgia.

 

( Trecho do livro, NÓS ABORTAMOS, de Nércio Antônio Alves)